
Assaltos e tiros no Dragão
Bandidos armados agiram com violência na madrugada de ontem. O Ronda do Quarteirão só apareceu depois.
Tiros, pânico, uma pessoa baleada e a ausência completa da Polícia. Este foi o drama vivido, na madrugada de ontem, por cearenses e turistas brasileiros e estrangeiros que estavam no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, na Praia de Iracema. A violência foi protagonizada por três bandidos, armados com revólveres, que atacaram transeuntes e as pessoas que se aproximavam de seus veículos estacionados na Rua Boris.
O guiador de um automóvel não obedeceu à ordem dos criminosos para parar seu carro e acabou sendo atingido com um tiro. Mesmo baleado, ele conseguiu fugir do local. Os assaltantes, então, atacaram outras vítimas, quebrando os vidros laterais dos automóveis com pedradas e coronhadas.
A chuva
Chovia forte por volta de 3 horas quando os ladrões apareceram, vindos de uma favela localizada nas proximidades. Naquele momento, as pessoas que se divertiam nos bares localizados no entorno do centro cultural começaram a se dispersar. Muitos seguiram em direção aos seus automóveis estacionados na Rua Boris. O local, porém, ficou alagado e muitos carros acabaram enguiçando pela força da água.
Se aproveitando desta situação, e da falta da Polícia, os bandidos agiram com violência e roubaram os pertences das vítimas. Depois, fugiram sem que a Polícia agisse. Vigias dos estacionamentos particulares próximos dali testemunharam a ação dos ladrões, mas, desarmados, não puderam reagir.
“Fizemos várias ligações para a Ciops (Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança) e a resposta que obtivemos é que, naquele momento, não poderiam enviar uma viatura. Disseram que naquela hora havia muitas ocorrências e que o acesso também estava difícil por conta da chuva. Começamos a ligar às 3 horas e somente às 4h5 apareceu uma viatura”, contou um jornalista que estava no local e presenciou toda a ação violenta dos assaltantes.
Segundo ele, para surpresa das pessoas que tinham ligado para a Ciops e esta informado que não havia viatura disponível para atender à ocorrência, havia uma patrulha do Ronda do Quarteirão parada a menos de 200 metros do local. “A viatura estava na porta da boate Órbita. Quando abordamos os policiais e perguntamos por que eles não haviam ido ao local onde os bandidos estavam atacando, eles nos disseram que não haviam sido chamados”, contou.
Insegurança
O estado de insegurança que predomina na área de entorno do Centro Dragão do Mar não é novidade. Embora tendo conhecimento do fato, as autoridades policiais negam que o local seja desprotegido. Ali, além de duas viaturas do Ronda do Quarteirão, circulam pelo local patrulhas da PMTur e da Guarda Municipal de Fortaleza.
No dia 29 de março último, uma reportagem especial publicada pelo Diário do Nordeste, com o título ´Insegurança no Dragão do Mar´, revelou os constantes ataques de ladrões contra os frequentadores do local, especialmente aqueles que deixam seus veículos estacionados nas ruas próximas. Flanelinhas que atuam na área são apontados como coniventes com os marginais que agem no local e fogem em direção à favela existente por trás do prédio da antiga Alfândega, na Avenida Historiador Raimundo Girão.
O entorno do Dragão do Mar, assim como toda a Praia de Iracema, tornou-se, nos últimos anos, um dos bairros mais violentos. Tráfico de drogas, assaltos, roubo e furtos de veículos e a prostituição de adultos e adolescentes viraram uma rotina no local, mesmo sendo um bairro ainda considerado de interesse turístico. Falsos flanelinhas, mendigos e catadores de material reciclável se misturam aos ladrões, traficantes e prostitutas que agem na área.
FERNANDO RIBEIRO
EDITOR
FONTE: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=770961
Agora a pergunta: isso não é uma falta de vergonha?